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domingo, 9 de junho de 2013

Das Fábulas e dos Contos de Fadas ao Mundo Real: Grimm e Once Upon a Time, por Gabriel Ricardo

Quem nunca ouviu, na escola ou antes de dormir, um dos famosos contos dos Irmãos Grimm? Quem não conhece a história da Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau? A história da Cinderela? A Branca de Neve, os Sete Anões, o Príncipe Encantado e a Rainha Má? 
Pois é, essas histórias que povoaram nossas infâncias, que nos fascinaram e nos deram, muitas vezes, lições e morais, são, em grande parte, histórias compiladas por dois irmãos, alemães, de meados do século XVIII: os irmãos Grimm, que dedicaram suas vidas e os seus esforços na busca de histórias e contos que eram transmitidos oralmente para que, então, pudessem ser registrados e compilados. Os irmãos Grimm também deram grandes contribuições à língua alemã com um dicionário (O Grande Dicionário Alemão), além de estudos de linguística e folclore.

Nesta última semana, eu resolvi focar uma parte da minha atenção em duas séries de televisão que têm muito em comum: Grimm e Once Upon a Time.



Grimm é um nome sugestivo. Faz referência direta aos irmãos Grimm, que eu acabei de citar.
Já no primeiro episódio, somos apresentados a Nick Burkhardt, um detetive de homicídios que tem sua vida transformada ao descobrir que é descendente de uma sociedade secreta, conhecida como Grimm.
Sua missão, assim como a de seus antepassados, é manter o equilíbrio entre a vida real e a mitologia.

Sem muitos rodeios, passamos a conhecer criaturas e seres fantásticos, entre eles, a raça dos "lobos maus", os Blutbads (ou melhor, Blutbäder!), assim como diversos outros elementos dos famosos contos infantis. Essa adaptação sombria das famosas histórias que conhecemos e a necessidade de manter o "equilíbrio" entre dois mundos, foi o que mais me chamou atenção e, incontestavelmente, foram os maiores motivos que me levaram a assistir os primeiros episódios.



Já Once Upon a Time, ou Era uma Vez, retrata a história dos personagens dos contos de fadas, após sofrerem uma terrível maldição lançada pela Rainha Má. A maldição fez com que eles fossem aprisionados em um "lugar terrível": o planeta terra, mais precisamente em uma cidadezinha chamada Storybrooke, em Maine, nos Estados Unidos. Além de mantê-los presos ali, a maldição também fez com que eles perdessem suas memórias, levando personagens como a Branca de Neve, o Princípe Encantado, Gepeto e o Grilo Falante a acreditar que são pessoas normais.
A única maneira de vencer esta maldição e tornar os "finais felizes" mais uma vez possíveis, está em Emma Swan, a filha da Branca de Neve que não foi amaldiçoada graças à uma árvore mágica, criada pelas Fadas Madrinhas, por Gepeto e Pinóquio.

Grimm ou Once Upon a Time?
Mesmo tendo assistindo apenas os primeiros episódios, já pude ter uma noção geral das duas séries, mas apenas me aprofundando um pouco mais na mitologia de ambas, é que poderei dar meu ultimato.
A princípio, eu achei o enredo, os personagens e os mistérios de Once Upon a Time muito mais atrativos e interessantes do que os de Grimm. Já estamos acostumados com o cidadão comum que descobre ser o grande mediador dos mundos e responsável pela salvação de todos. Mas uma cidade povoada por contos de fadas que não conseguem nem sequer lembrar-se quem são? Isso é novo, ousado e, eu garanto, uma ótima premissa para aventuras incríveis. Devo admitir que continuarei assistindo os próximos episódios de Once Upon a Time, que já estão sendo filmados em sua terceira temporada.

domingo, 5 de maio de 2013

A Morte do Demônio (Evil Dead), por Gabriel Ricardo


           
Remake, título clichê, recheado de cenas gore: esta é a impressão inicial que tive ao analisar o trailer e as especificações técnicas desse filme tão aguardado e que em seu pôster de divulgação já nos adverte em chamativas letras garrafais que este será "O FILME MAIS APAVORANTE QUE VOCÊ VERÁ NESTA VIDA.".
  
Quando o gênero de um filme é terror ou algum derivado ou subgênero do mesmo, fico me perguntando qual é o tipo de terror que mais me agrada. Porque na verdade, os filmes deste gênero tendem a misturar vários elementos a fim de proporcionar uma experiência única para quem o assistiu. Entre esses elementos, posso citar novamente o
gore, onde há uma preocupação maior em focar nas cenas de mutilação e nos banhos de sangue, aumentando o clima de tensão e deixando o espectador agoniado e, por vezes, com náuseas, afinal, assistir as estranhas de um ser sendo arrancadas, seja por um maníaco ou por ele mesmo, pode não ser a melhor ideia de um filme para se assistir na hora do jantar.

LEIA MINHA ANÁLISE COMPLETA

domingo, 21 de abril de 2013

Margaret Thatcher: Meryl Streep e A Dama de Ferro, por Gabriel Ricardo


            Idolatrado por uns. Odiado por outros. Este é o típico perfil de um líder político de esquerda ou de direita, vivente neste pequeno e pálido ponto azul, ao qual carinhosamente nomeamos de planeta Terra.
             Há ainda esta crença incrustada na nossa história, na nossa política, nas nossas relações internacionais: o mundo divide-se entre esquerda e direita. Mocinhos e vilões. Tom e Jerry.
            Qual lado é detentor da verdade libertadora? Qual possui o revolucionário poder de revolucionar? Nenhum?
            Enfim, as perguntas acima nada mais são do que uma introdução, talvez uma provocação. Não é mais novidade para ninguém que no último dia 9, faleceu a ex Primeira-Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher (1925-2013).
            Sua vida, suas fortes relações com a política e os dramas que envolvem essas relações ganharam, no ano de 2011, adaptação cinematográfica dirigida por Phyllida Lloyd e estrelada por uma das maiores musas do cinema mundial, Meryl Streep. 



            Este é o segundo trabalho em conjunto de Phyllida e Meryl Streep que, em 2008, trabalharam juntas na comédia musical Mamma Mia! – O Filme.

Meryl Streep, uma das maiores atrizes do cinema mundial, na minha opinião.

Gostaria de ressaltar aqui que os comentários que eu farei serão baseados no filme "A Dama de Ferro" que, sem dúvida nenhuma, foi produzido através de um ponto de vista favorável ao de Margaret Thatcher. Os filmes nem sempre projetam a realidade, até mesmo porque a realidade muitas vezes se apresenta de forma ambígua. Em todos os casos, meu objetivo aqui é apresentar-lhes o filme em questão, sendo que não tenho nenhum conhecimento aprofundado na política de Thatcher.

Filme: A Dama de Ferro (2011)
Pôster do filme "A Dama de Ferro", originalmente "The Iron Lady"

            O filme retrata muito bem os dramas pessoais da vida de Thatcher que, devido as suas críticas ferrenhas à União Soviética e sua forte oposição ao sistema político da época, recebeu da imprensa soviética o “carinhoso” apelido de Dama de Ferro.
            O filme começa apresentando-nos a uma Thatcher já idosa, doente e que vive conversando com seu falecido esposo, que lhe orienta nas situações do dia-a-dia e, juntos, relembram o passado ilustre de Thatcher, sendo que, às vezes, o próprio falecido explica-lhe situações que ela mesma nunca tinha compreendido.
            Muito mais do que um diálogo com seu finado marido, fruto do fato de ela nunca ter aceitado a morte dele, o filme retrata o diálogo de Thatcher com seus próprios fantasmas: já idosa e doente, ela dizia a si mesma que não se reconhecia e que gostaria de entender o que acontecera com aquela mulher inexorável e forte que fora um dia.
            Acredito que a evolução do filme acontece a partir deste pensamento: Thatcher revisita seu passado em busca das respostas que ela tanto precisa. Ela relembra sua juventude, as fortes inspirações que recebeu de seu pai, sua entrada no parlamento inglês e a eleição que a tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Independente de toda e qualquer crítica que exista contra ela ou seu modo de governo, é indispensável dizer que ela foi uma mulher de garra e de coragem. Ela quebrou barreiras, até então intransponíveis, de gênero e de classe social, adentrando o parlamento e ficando cara a cara com dezenas de homens que a viam como um ser inferior.
            É válido citar também que ser um líder é uma grande responsabilidade e Thatcher sabia disto. As decisões que ela tomou durante seu governo influenciaram o resto de sua vida, tornando-a uma mulher fechada e tirando-lhe noites e mais noites de sono. Pelo menos é esta a mensagem que o filme nos passa: as consequências de ser aquele ou, neste caso, aquela que toma as decisões difíceis. Alguém tem que tomá-las e alguém precisa responder por elas.
          
            Thatcher: mocinha ou vilã? Não estou aqui para responder esta pergunta. Mas quanto ao filme A Dama de Ferro, posso garantir-lhes que é indispensável para aqueles que gostariam de entender um pouco mais sobre a vida desta intrigante mulher, suas vitórias, seus dramas pessoais e seu punho forte ante as ameaças contra seu governo que lhe renderam este curioso e histórico apelido.

Notas finais: o filme foi vencedor do Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama) à Meryl Streep, dois BAFTAs: Melhor Atriz (Meryl Streep) e Melhor Maquiagem e dois Oscars: Melhor Maquiagem e Melhor Atriz, também à Meryl Streep.



Texto por Gabriel Ricardo.